As piores formas de trabalho infantil atingiam 525 mil crianças e adolescentes no Brasil em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo representava 1,4% da população de 5 a 17 anos, o menor percentual da série apresentada pelo instituto.
Ao todo, 1,499 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil no país no ano passado, o equivalente a 4% dessa faixa etária. O número representa uma redução de 9,2% em relação a 2024, quando havia 1,65 milhão de pessoas nessa condição. Em 2016, eram 2,1 milhões, ou 5,2% da população de 5 a 17 anos.
Risco e faixa etária
As piores formas de trabalho infantil incluem atividades que oferecem riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral de crianças e adolescentes. A classificação, prevista no Decreto Federal 6.481/2008, abrange situações como escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas.
A incidência do trabalho infantil cresceu conforme a idade. Entre 5 e 13 anos, 280 mil pessoas estavam nessa situação em 2025, correspondendo a 1,1% do grupo. Na faixa de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, o contingente chegava a 871 mil, equivalente a 14,5% da população dessa idade.
Dos 1,499 milhão de trabalhadores infantis, 1,141 milhão exerciam atividades econômicas e 358 mil realizavam apenas tarefas de autoconsumo, voltadas à subsistência da família. Em 36,3% dos casos, a jornada superava 25 horas semanais; em 21,4%, chegava a 40 horas ou mais.
Desigualdades regionais e sociais
O Sudeste concentrava o maior número absoluto de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Proporcionalmente, porém, a Região Norte registrava a maior taxa, de 6,3%, enquanto o Sudeste tinha a menor, de 3,3%.
O IBGE também apontou que 65,4% das pessoas submetidas ao trabalho infantil eram do sexo masculino, embora os homens representassem 51,2% da população de 5 a 17 anos. Pretos e pardos correspondiam a 67% dos trabalhadores infantis, enquanto representavam 59,7% da população nessa faixa etária.
Escola e Bolsa Família
A frequência escolar era de 99,7% entre crianças de 5 a 13 anos em situação de trabalho infantil. O índice caía para 95% entre os adolescentes de 14 e 15 anos e para 79,6% no grupo de 16 e 17 anos. Para a população total dessas idades, as taxas eram de 98,1% e 89,6%, respectivamente.
Entre moradores de domicílios beneficiários do Bolsa Família, 4,4% das pessoas de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2025, ante 4% na população total. Em 2016, as proporções eram de 7,3% e 5,2%. Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, políticas públicas, o programa de transferência de renda, o aumento da renda domiciliar e a melhora do mercado de trabalho podem ter contribuído para a redução.
A pesquisa registrou ainda que 42,1% das 37,8 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidavam de pessoas. A proporção era maior entre meninas, de 47,9%, do que entre meninos, de 36,6%.
Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.
Foto: O adecubo/ AdobeStock







